sexta-feira, 28 de junho de 2013

#2


Estou em roaming e vai sair caro.

Michelle Brito

Tenista Portuguesa sobre a hipótese de falar com Cavaco Silva após bater Maria Sharapova.







da série Golpes Por Comentar.





sábado, 22 de junho de 2013

Brasileiros Ingratos

É quente e cáustica e electricamente rápida a correr pelas carnes e fluidos íntimos de nós, apenas para se deixar permanecer hipócrita numa latência mesquinha de pulsar ácido. Foi uma facada, feia. Foi traição. É dor de morte. Foram muitos anos, demasiados meses, no mar, a vergar a vontade das ondas, a namorar sopros alíseos, a comer um conduto, pasta-escarreta-verde-nojo, verde de doença. A dar do corpo na barcaça e a domar, por Deus, a ideação que tropeça nuns olhos que enganam, pelo salitre das pestanas, pela carência do corpo que quer afecto, pelas noites de solidão que vão transformando o perfil bovino-suado, de cheiro caprino do Ribeiro, com o seu visco jactante pela goteira peluda das costas, numa silhueta mui pia, qual sereia, alvo de pensamentos pouco castos.

Tanta coisa para levar o Senhor, a Língua, e, acima de tudo, a Bola ao outro lado do Atlântico. Ingratos. Basta a primeira fornada consistente de uma classe média informada e consciente para sair o povo em luta pela educação e saúde em detrimento de mais betão para proteger o pelado. Degeneraram das suas raízes europeias tementes aos astros de chuteira – deve ser o lado índio, selvático.


Por cá também havia uma secção entre os muitos ricos e os muitos pobres. Emigrada, exterminada à conta de muito futebol e construção civil. Lá, no garrido das praias e das favelas, apareceu há poucos anos, mesmo com o calor, a sunga e a água de coco. Ao menos deixou-se lá sentido crítico. O que foi murchando de podre na Pátria-mãe, aflorou além-fronteiras. Ao menos o Ribeiro não foi sodomizado em vão. Menos mal.










domingo, 24 de fevereiro de 2013

#1


Feliz é o país que protesta com uma canção.

Viviane Reding
Vice-presidente da Comissão Europeia





da série Golpes Por Comentar.


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Mano a Mano


     O suor é sempre o mesmo, no mesmo pelado, com os mesmos adeptos que gritam pelas mesmas duas equipas. Ao Domingo, sempre de manhã, que à tarde as pernas deixam-se pesar com uma cerveja, ou várias, para quebrar a monotonia de sofrer, semanalmente, com um confronto sádico com o mesmo adversário. Acontece nas Ilhas Scilly, no campeonato de futebol mais pequeno do mundo, Garrison Gunners contra Woolpack Wanderers, a cada oito dias mais um derby. Maceram-se, infindavelmente, as canelas do costume, mói-se até ao tutano o mesmo lombo, para gládio de quem fica de fora.

                A vantagem de pôr o povo a assistir à repetição de um mesmo jogo é que, para além do resultado ser expectável, não é necessário dar desgaste aos cascos de mais besta alguma, porventura necessária para borrascas futuras.

                Enquanto se ostenta o Ministro dos Assuntos Parlamentares contra umas câmaras de televisão, as claques uivam em uníssono uma música, tornada ladainha, feita reza debitada inconscientemente, despercebendo-se que, ao berrar, impõem uma surdez que esconde mais uma certidão de óbito a um Orçamento com 3 meses.

A mais cristalina das verdades é que sua permanência viscosa neste Governo deve-se à mais absoluta das necessidades. Relvas deixou de ser Ministro para ser um batente de porta.




http://25.media.tumblr.com/tumblr_m1gvgmdW0g1rre1jdo1_500.gif
http://25.media.tumblr.com/tumblr_m1gvgmdW0g1rre1jdo1_500.gif


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Voltámos aos Mercados


É o dia do costume. À quarta-feira. Talvez não precisasse ser tão de madrugada. Tão cedo que fere os olhos melados de cama, que expõe sádico as carnes molengas, ainda mornas de alcofa, a um vento de nortada que queima de frio.

Tem de ser tão de manhã, quase ainda breu, que é quando chegam as carrinhas. É quando ainda há para escolha. Quando se pesa com justiça. É quando ainda há dia para fazer render.

Voltámos ao mercado. Não pelo saudosismo romântico. Tão pouco pelo patriotismo inflamado de apoio à produção dentro de fronteiras. Voltámos porque se pesa a granel, porque se junta a saco, que um euro por um quilo de feijão, agora, faz a diferença. Porque se pode comprar só meio-quilo, porque se pode pagar só amanhã, ou quando der jeito.

Voltámos aos Mercados. Os outros de sempre. Internacionais. Rejubilamos, sem perguntar se não foi a dívida assim contraída no passado que nos escarrou na cova funda onde estamos, sem interrogarmos a razão de ser desígnio nacional e não um meio para um fim. Macera-se o cadáver de gente que resta para se voltar aos Mercados e depois? Quem sobrará no mercado?