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terça-feira, 20 de março de 2012

Tarzan Taborda


Há coisas que me deixam perplexo. O facto da comunicação social não se esforçar por aumentar o ego do povinho é uma delas. Vende mais publicitar que o Santana está a considerar as Presidenciais de 2016? Vende. E, neste caso, até tem piada, mas não ajuda a motivar ninguém. Sugiro que usem exemplos, como o saudoso Tarzan Taborda – praticante de wrestling português que, para além de ter participado em cerca de quatro mil combates, nunca perdeu nenhum. Nessa vida de sangue, suor e lágrimas, o terror de Penacova, ainda teve tempo para ser bailarino em Paris. Sobre isto ninguém escreve! Não vale a pena. É preferível juntarmo-nos todos e passarmos múltiplas certidões de óbito ao coitadinho que teve a infelicidade de assumir a pasta da economia. Ou atirar no ressabiado do Cavaco. O Português é uma raça que não gosta de saber se, de facto, há coisas que correm bem. Isso obrigaria a D. Maria a deixar de utilizar a célebre - “ somos pobres, mas limpinhos” -  ou - “ao menino e ao borracho põe-lhes Deus a mão por baixo”. Porventura o último dizer não sairia afectado por se publicitar que o défice externo está a baixar. Menos mal.

Portugal está a importar menos e a exportar mais. A balança dos pagamentos e das receitas está-se a equilibrar. Só se conseguiu este feito duas vezes na história de Portugal! “Vamos escrever sobre isto nos jornais? Não, isso é chato. Dá-lhes com PPPs e com as dívidas dos municípios. Isso vai animar a malta.”








Imagem retirada de http://www.onlineworldofwrestling.com/pictures/t/tarzantaborda/03.jpg. Acedido em 20/03/2012.

sábado, 10 de março de 2012

Personalidade



Há que adorar palavras simples. Concisas. Como imbecil. Insulto apropriado para aqueles que, não sendo fracos de espírito, manifestam imbecilidade numa determinada acção. São palavras inteligíveis como a anterior que, quando ouvidas no momento certo, permitem corrigir esta ou aquela imbecilidade. O problema não é quando são usadas como insulto, até podem ter um objectivo construtivo, a agrura é quando, para a descrição completa de um indivíduo [instituição ou país], palavras como esta, imbecil, têm obrigatoriamente de figurar. O problema é quando a imbecilidade é um traço de personalidade. O grave é quando é uma característica do próprio. Ora vejamos.

Num acordo para vender um banco por 40 milhões de euros, depois de injectar 600 milhões para reforçar o capital e ceder apoios á tesouraria de 700 milhões, para além de muitas outras leviandades, é avalizado um empréstimo de 300 milhões a custo zero. A custo zero. A imbecilidade seria tanta que a Comissão Europeia chumbou o acordo. Decerto por pena. Pesar pela incapacidade patológica dos incapazes que se arrastam na capital. Para evitar criar precedentes perigosos ou por aquele sentimento constrangedor, incomodativo e fininho de ‘vergonha alheia’ que nos toca quando o magnetismo da imbecilidade do vizinho é de tal grandeza que nos vemos na obrigação de intervir.